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Crítica: Professor Marston e as Mulheres-Maravilhas: feminismo e sensibilidade

A estréia em 2017 do filme passou desapercebida por mim e talvez tenha passado por você também, mas não deveria.

Eu topei com esse filme por acidente, num grupo de Facebook onde disseram que ele era impressionante e sensível. Meu primeiro pensamento foi: como um filme sobre ménage à trois e sadomasoquismo pode ser sensível?

Os filmes que assisti, com exceção de talvez um ou dois, que apresentaram relações à três me pareceram sempre bem machistas, como se tivessem saído direto de um sonho masculino, como se as mulheres naquela cena fossem simplesmente objetos na mão do parceiro sortudo. Mas a direção cuidadosa de Angela Robison mudou completamente o meu pensamento inicial. Se eu tivesse que escolher uma única palavra para definir Professor Marston e as Mulheres-Maravilha, essa palavra seria: sensível.

O longa é inspirado na história real do Doutor Marston (Luke Evans), inventor do polígrafo (comumente conhecido como detector de mentiras) e da ilustre personagem Mulher-Maravilha. William Marston e sua esposa Elizabeth Marston (Rebecca Hall) escolhem uma aluna para lhes ajudarem em suas pesquisas sobre psicologia em Harvard. Ambos acabam se apaixonando e se envolvendo com a sua pupila, Olive Byrne (Bella Heathcote), e passam a viver um amor proibido. O romance não passa desapercebido pela sociedade ao redor, resultando na demissão dos Marstons de Harvard, forçando-os a achar uma outra profissão e mentir para todos sobre a sua vida entre quatro paredes.

Professor Marston e as mulheres-maravilhas movie

O foco do filme é, claramente, as mulheres e seu incrível poder. Enquanto Olive se apresenta submissa, gentil e frágil (representando o alter-ego da super-heroína e secretária de Steve Trevor), Elizabeth é fervorosa, forte e insubordinada (personificando a semi-deusa praticamente indestrutível que conhecemos como Mulher-Maravilha). Marston se mostra apenas como um elo de ligação entre as duas, um observador que, como nós, se impressiona com o brilhantismo das duas mulheres em sua vida.

Outro ponto forte do filme é a sua fotografia, cuidadosamente trabalhada para proporcionar uma atmosfera de romance e magia. Até mesmo as cenas sexuais possuem um teor mais romântico, focadas em mostrar o envolvimento dos personagens uns com os outros, ao invés de mostrar aquilo como algo carnal. Parece excepcionalmente difícil tornar uma cena com sadomasoquismo e cordas algo carinhoso, mas Robinson o faz com maestria.

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Tudo isso culmina para a criação de uma das personagens que até hoje é importante para o movimento feminista e o filme nos leva por esse caminho de luta, aceitação e amor de forma leve e fluída. Não poderia ser diferente, afinal, o que seria da Mulher-Maravilha e das Mulheres-Maravilha ao nosso redor sem esses três pilares?

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