Música

Aos 30 anos, perdemos interesse por músicas novas

É o que descobriu o Deezer, com pesquisa entre os seus usuários na Grã-Bretanha.

Além de todos os problemas, a vida adulta também tira da gente um dos prazeres mais recompensadores, que é o tesão por ouvir uma boa música nova. É o que descobriu o Deezer, com uma pesquisa feita entre mil usuários da plataforma, na Grã-Bretanha, que chegou à conclusão de que, por volta dos 30 anos e seis meses, perdemos o interesse por descobrir músicas e artistas novos.

E sim, isso em grande parte é culpa da vida adulta, com 16% das pessoas alegando que, entre os motivos, estão a falta de tempo, por causa do trabalho, e 11%, por terem que cuidar dos filhos. Outros 19% se sentem perdidos, devido a enorme quantidade de opções disponíveis.

Quase metade dessas pessoas, ou 47%, dizem querer ter mais tempo para buscar novidades no mundo da música. Pelo menos, vemos que o motivo não é falta de vontade.

“Com tanta música brilhante por aí, é normal sentir-se sobrecarregado”, disse Adam Read, editor musical do Deezer para o Reino Unido e Irlanda. “Isso normalmente resulta em ficarmos emperrados na ‘paralisia musical’, quando chegamos aos trinta.”

Geralmente, o auge das nossas descobertas musicais é aos 24 anos e cinco meses. Nessa idade, 75% dos entrevistados disseram ouvir a, pelo menos, dez novas músicas por semana, e 64% buscam ao menos cinco novos artistas no mesmo período.

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Os escoceses do Franz Ferdinand, a cada novo álbum, uma nova sonoridade e novas influências (Divulgação / Franz Ferdinand)

Ainda assim, a pesquisa mostra que esses números podem variar bastante de uma região para outra, dependendo de questões sociais e culturais, sendo que dentro do próprio Reino Unido os números já mostram suas diferenças.

Os escoceses, por exemplo, sofrem da “paralisia musical”, em média, aos 40 anos e sete meses de idade. E o galeses, aos 24 anos e oito meses já diminuem a amplitude de seus gostos musicais.

O assunto já foi abordado anteriormente

Claro, essa não é a primeira vez que este assunto vem à tona, mas por ser uma pesquisa mais recente e feita diretamente por um serviço de streaming de música, com o seu público e para o seu público, as proporções da informação ficam ainda mais em evidência.

O tema já foi explorado mais a fundo por outras publicações, como o blog Skynet & Ebert, que verificou dados do Spotify nos Estados Unidos em 2015 e apurou que os adolescentes tinham seus gostos moldados pela música pop. Isso foi mudando gradativamente, à medida em que as pessoas iam chegando aos trinta anos de idade.

Em fevereiro, o economista Seth Stephens-Davidowitz analisou dados do Spotify para o New York Times. No estudo, ele descobriu que se um hit é lançado quando você é mais novo, provavelmente um adolescente, ele será mais popular naquele grupo da sua idade.

Isso acontece porque, de acordo com a ciência, durante a nossa adolescência, dos 12 aos 22 anos, nosso cérebro passa por uma série de mudanças que nunca é experienciada novamente ao longo do restante de nossas vidas. Sendo assim, estamos mais receptivos à estímulos externos, incluindo musicais.

Outra razão para ouvirmos as mesmas músicas repetidas vezes, é por causa de uma situação chamada “fase de antecipação”. Aquele arrepio que você sente ouvindo determinada canção acontece por uma resposta hormonal, mas também pode ser por que você sabe que a parte boa da música está chegando.

Como, por exemplo, naquele instante anterior à virada da música, ou um refrão dramático; nosso cérebro entende isso como como uma recompensa, e libera dopamina, o hormônio do prazer. Contudo, o tempo e, consequentemente, a vida adulta, nos fazem perder essa sensação, pois as conexões e experiências cerebrais já não são as mesmas da adolescência. Isso explica o por que de o seu tio, fã do Creedence, não aguentar o seu Slipknot.

E você, já atingiu o seu pico de descobertas? Caiu na “paralisia musical”? Deve ser terrível.

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